Odeio ler poesias. Quão pífio me sinto perto dos poetas que parecem amar, parecem sonhar, parecem saber viver; e eu, pareço o quê? Sei de nada. Falo algumas coisas, penso outras tantas, evito chegar em conclusões pra que lá na frente, eu e meus pensamentos possamos nos esbarrar novamente e eu me pergunte "e agora, o que eu faço? O que eu acho?", penso outro tanto e. Sei de nada. Tenho me perguntado quem sabe mais: o que leu muitas páginas ou aquele que pouco aprendeu sobre o que outros descobriram antes? Todo caminho leva aos seus aprendizados, mas a pergunta que não quer calar taí, vim ao mundo pra saber do mundo ou vim ao corpo pra saber do corpo? Alguém disse uma frase e talvez não saiba que ficou famosa, mas sei lá se quero saber se foi ovo ou galinha o que veio antes, to na primeira fase da vida ainda, primeiro o homem nasce e se conhece, na medida da necessidade, depois é que se acha esperto demais pra saber dos outros, mas eu ainda to lá, tentando saber se veio o corpóreo ou intangível, cabeça ou coração, tentando saber se vou pra direita ou pra esquerda, se faço poesia ou bebo cerveja. Que loucura, né? Imagina o que me dá quando cabe a mim, em algum debate, comentar se concordo que a vida passa rápido e os dias passam devagar, e eu nem sei ainda o que é vida. De longe parece confuso, de perto parece de longe. Sei de nada. Ninguém nunca me ligou pra avisar que era Deus e que tudo ficaria bem, que bastava seguir a cartilha. Dificil, não? Tanto a chance de eu atender o telefone quanto de estar seguindo o livro certo. São tantos livros. Mas não é blasfêmia, com todo respeito, até porquê, não suporto ser incrédulo, que vida sem graça! Não digo que seja um porre, porque porre de whisky é usado de monte pra fugir dessa monotonia, quanto prazer há em deixar que o álcool te apodreça por dentro só pra que fujas dessa vida podre por algumas horas (?). É por isso que só mesmo esperando outros parágrafos pra entender o que esse livro diz.
Por isso eu creio (não sei em quê),
Que crendo a gente cresce
Parecendo a prece
E é mais fácil se entender
Quando escurece
E a gente sabe bem o que fazer.
Basta acreditar. Ontem mesmo acordei acreditando no amor, nove horas num escritório e eu já nem sabia o que era isso, de noite acreditei que era com a moça da mesa do lado que eu iria passar a noite, o problema foi que ela não acreditou nisso. Hoje acordei acreditando em mim, por que não? No primeiro buraco que pisei gritei por Deus e o mundo! Gritar Deus eu até entendo, foi o que minha mãe me ensinou a gritar quando pedisse socorro, mas o mundo não! Quem acredita em si jamais poderá acreditar no mundo. O mundo tem todas as verdades, e só mesmo o poeta pode tê-las sem se perder. Enquanto limpava o sapato tive minhas duvidas sobre isso também. Percebi que era hora de guardar os pensamentos e esperá-los voltar mais tarde. Mandei tudo pro diabo e acendi um cigarro.
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