sexta-feira, 4 de julho de 2014
ninguém disse que seria fácil
Realmente, ninguém disse que seria fácil. Costumo dizer essa frase quando encontro alguma dificuldade, não como um mantra, mas para me lembrar de que é preciso fazer por merecer, nada vem fácil a não ser que tão fácil também vá. Porém tenho me questionado nos últimos dias se de fato a vida foi feita para ser tão complicada como me parece hoje em dia ou se não somos nós quem estamos criando os próprios problemas. Muitos talvez me entendam apenas com essas palavras, mas pretendo dizer um pouco mais. Quinta-feira, 6:15 da manhã e meu despertador me chama, preciso estar no trabalho as oito, poderia facilmente chegar em 30 minutos, mas outros milhões de pessoas estão na rua com o mesmo objetivo e é necessário acomodar todos nós nos ônibus e avenidas, se apertar um pouco, vai. Saio correndo mais uma vez, faz bem pras pernas; perco o ônibus, outros do meu lado também perderam, paciência e esperança é só o que posso ter, tomara que o ônibus passe rápido pois não posso tomar outra advertência. Passou, ufa! Pouco mais de oito horas trabalhando, sem problemas, só mais um dia sem ver o sol. Saio do escritório gelado pra comprar o almoço, o dia está mais quente do que imaginei, enquanto tiro o moletom meu celular cai no chão, desliza até o pé de um homem que desvia e segue andando, enquanto abaixo para pega-lo alguém esbarra em mim, caio, outros desviam e seguem andando. Volto do almoço, continuo meu trabalho, o barulho do transito lá fora parece maior que de costume, alguém chega me dizendo que um viaduto em construção desabou na Pedro I, uma hora depois e era só o que se falava na televisão e internet. Sorte a minha, tem um viaduto entre meu trabalho e minha casa, os carros pelas ruas que passo me aconselham a não pegar o caminho de todos os dias, resolvo pegar um metrô até o centro e de lá andar até um ponto de ônibus que me leve por algum caminho alternativo. No ócio do metrô me pergunto - quem diabos fez esse viaduto? De quem é a culpa disso? Serão os funcionários em trabalho escravo ou o primo do prefeito, dono da empreiteira, talvez o engenheiro que tocou a obra mesmo morando na Europa? Talvez tenha sido o bom prefeito que calculou a verba, depois disse que gastaria um pouco mais, mas todo mundo acha que nem a metade dessa verba foi usada, e se não foi usada então onde foi parar? Talvez na Europa. Realmente, ninguém disse que seria fácil, mas a falta de vontade, a pressa e a preguiça, talvez o egoismo e a maldade... O ser humano tem se acabado, hoje foram três mortos, ontem foram outros, morrem de tiro, de fome, morrem por tentar melhorar as coisas. Do outro lado do mundo bombas explodem, guerras se espalham. Isso não é uma crônica muito menos fábula, talvez um lamento de quem observa sem entender, mas do que importa? Amanhã tem mais um jogo da Seleção Brasileira e o luto fica pra depois, estão dizendo que a copa do mundo está ótima.
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''Muitos talvez me entendam apenas com essas palavras, mas pretendo dizer um pouco mais.''
ResponderExcluirDoooidooo!! Curti muito o fio da meada, o clima e a maneira de narração. A critica final, que muda e se sobrepõe ao mundo que a narração seguia, foi uma surpresa agradável.
Ainda coloco esse texto dentro de um escrito meu [com as devidas referências ;) ]